Era cedo, eu tinha tomado banho e estava me arrumando pra sair.
Abri meu armário e nada do que eu via me satisfazia.
Comecei a experimentar todas as combinações de roupa: as que eu mais gostava e as que eu menos gostava.
E a cada troca de peças, me punha em frente ao espelho, porém, não me reconhecia.
Não me reconhecia e não tinha nada a ver com a roupa que eu vestia.
Meu eu não se reconhecia, eu não me reconhecia.
Na verdade, eu era como um computador, onde todas as peças do sistema não são compatíveis.
A capa está lá, mas o interior não condiz.
O ‘por fora’ está a mostra e aparentemente está tudo bem, mas quando abre, se deixa abrir, percebe-se que todas as peças estão desencaixadas, todos os sentimentos estão espalhados de modo que nada se interligue.
Um labirinto se fez dentro de mim, de proporções quase impossíveis de se encontrar a saída.
Mas eu precisava achar, eu tinha que me encontrar.
As peças tinham que se encaixar e os sentimentos tinham que voltar a se interligar…. de novo.
Tantas e tantas vezes não damos valor aos trinta dias que contém num mês.
Muitas das vezes, parece que os dias são os mesmos, as horas não passam, tudo é igual… SEMPRE.
Meu último mês foi diferente.
Achei algo, ou melhor, alguém.
Achei quem faltava, quem completa.
Quem não me deixa mergulhar totalmente no passado e lembrar dos piores momentos.
Quem faz eu me sentir a melhor pessoa do mundo.
Quem me lembra que o amor não é só ilusão.
Obrigada, por tudo.
Pelos melhores 30 dias da minha vida, pelo amor que você me dá todos os dias.
Eu te amo <3
“Com licença, estou infeliz. Estou mesmo. Não sei dizer o motivo, são algumas frustrações, algumas coisas muito minhas, algumas mágoas que não consigo colocar para fora, porque eu sou assim, escrevo, escrevo e escrevo, mas na hora de abrir a boca pra falar nem sempre sai. Tem coisa que guardo, tranco lá dentro e jogo a chave fora. Preciso me sacudir e fazer a coisa toda sair, mas nem sempre dá, então fico nessa vibe meio infeliz de tudo, infeliz com tudo, infeliz pra sempre. Até o dia que deixar de ser. Até o dia que conseguir falar, me expressar, fazer sair. Preciso de um laxante para as emoções.
Nunca sei direito se a vida me fez assim, as situações fizeram com que eu me tornasse assim, não sei, não sei. A última e única coisa que lembro é de sentir. Eu sinto o sentir. Sei que parece papo de louco, mas é verdade, é real, sinto demais. A realidade me consome. Mas me consome exageradamente.”
Tamanha dificuldade de criar uma força sobrenatural dentro de si. Aparentemente, coragem, é um sentimento tão fácil de se ter e só necessário de se criar em momentos que, na verdade, nem se precisa tanto.
Quase 9 anos e eu ainda não criei.
Tão difícil, tão autodestrutivo…
Mas é chegada a hora.
Não há mais tempo pra esconder.
Eu juro, desse mês, não passa….
A cada dia que passa eu estranho mais a atitude das pessoas.
Elas me perguntam como consigo ter amigos.
Sei que, hoje em dia, ter amigos verdadeiros como os meus é difícil, mas não tanto a ponto de precisar de “ensino”
Aqui me perguntam como é ter vida social com pessoas que não sejam as diárias.
Não é possível que seja difícil.
E tudo isso é tão normal pra mim, que nem sei como lidar a cada pergunta dessas.
Mas ao mesmo tempo acho que a “anormal” pode ser eu.
Afinal, aqui, o diário é comum. A rotina é mais costume do que deveria ser.
Para eles, eu sou a estranha e não eles.
O jeito é me conformar….
Feriado, frio, tudo um saco. Sem cerveja na geladeira, sem amigos e churrasco. É só o marasmo e mais nada. O dia percorre toda a parede desse quarto enquanto eu percorro os cantos em busca do controle da TV e me pego, novamente, conversando com a própria mão.
A vida é que nem um anzol, tu joga…
E segue sendo… Cada dia mais estranho, cada dia “menos eu”.
Toda vez, acho que vai ser diferente. Mas sempre só acho.
Parece que eu nunca vou me adaptar e que sempre vai ser assim.
Confortante, só que não.
Seria infinito se fossemos “NÓS”.
C.
Mas onde você está ?
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É feliz pra um e, pra mim, não se trata de “nós”.
M.
Mas onde você está ?